Fundada na cidade de Morro do Chapéu (BA), a vinícola Santa Maria produz entre cinco e sete mil garrafas por ano. Dia Mundial do Vinho é comemorado nesta quarta-feira (18/2)
Irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes fundaram a vinícola Santa Maria, na cidade de Morro do Chapéu (BA) — Foto: Denison Malheiros/Divulgação
A paixão pelo vinho nasceu quase por acaso, quando as duas irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes cederam parte do sítio da família para um estudo de viabilidade de plantio e colheita de uvas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Uma década depois, em 2020, o que era apenas um experimento científico virou negócio: a vinícola Santa Maria, na cidade de Morro do Chapéu, localizada na Chapada Diamantina (BA). Hoje, a empresa produz até sete mil garrafas por ano e se posiciona como destino de enoturismo, com eventos ao ar livre e visitas guiadas.
“Cedemos o espaço no sítio em 2009 para a Embrapa testar a viabilidade do plantio de uvas viníferas na região, pois os pesquisadores tinham visto uma semelhança no clima com a cidade de Bordéus, na França. As mudas vieram de lá. Esse estudo teve duração de 10 anos, mas na primeira colheita em 2012 já teve uma publicação. O plantio envolveu dez variedades de uva”, lembra Oliveira.
Segundo a empreendedora, após o fim do estudo, o acordo era de que a estrutura e produção ficariam para a família. Mas, antes disso, ela e a irmã já tinham se apaixonado pela área ao observar o desenvolvimento das uvas no local.
“Não fazia parte do nosso mundo, mas fomos acompanhando tudo ao longo desses dez anos e não teve jeito. Resolvemos apostar na nossa vinícola e reunimos toda a família, que segue nos apoiando. Todo mundo ajuda e está envolvido em alguma etapa do processos”, diz.
Por conta das suas experiências como administradora e contadora, Oliveira explica que fica à frente da maior parte das etapas de produção do negócio, enquanto Nunes concilia as responsabilidades da vinícola com a atuação como enfermeira. “Nos apaixonamos pelas uvas. Sem dúvidas, elas escolheram a gente”, reitera Nunes.
Vinhos produzidos pela vinícola Santa Maria — Foto: Denison Malheiros/Divulgação
Após a decisão de apostar na vinícola, as irmãs buscaram consultorias especializadas para adquirir conhecimento e impulsionar o negócio, desde o plantio à fabricação.
O primeiro passo foi aproveitar o plantio realizado durante o estudo e, em seguida, a adaptação de outros espaços do sítio para os processos de produção das bebidas. O montante aplicado foi de cerca de R$ 50 mil.
Produção dos vinhos
Atualmente, a vinícola possui oito variedades de uvas, entre elas duas brancas Moscato e Sauvignon Blanc, e seis tintas Malbec, Syrah, Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Os vinhos custam a partir de R$ 70 e podem ser adquiridos na loja física e de forma online. No momento, elas também distribuem os produtos para mais de dez estabelecimentos da região, a exemplo de restaurantes. “Temos duas colheitas anuais e sete rótulos fixos, além de outros que conseguimos produzir esporadicamente”, afirma Oliveira.
A empresa ainda possui no catálogo outras bebidas e produtos, como licores, sucos, chopes e geleias. “Temos o licor de gengibre, que é uma receita da nossa mãe e é muito procurado. Estamos com fila de espera no momento”, diz.
CONTEÚDO ORIGINAL: https://revistapegn.globo.com/mulheres-empreendedoras/noticia/2026/02/irmas-transformam-pesquisa-cientifica-em-vinicola-que-fatura-com-enoturismo-na-chapada-diamantina.ghtml